quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
COMENTÁRIO TIPO MIOLO MOLE:"IRÃ IGUAL A EUA" (MARCELO BARRA)
Ao comentar a entrevista do FHC na semana passada, Marcelo elogiou isso e aquilo, mas acabou por ressaltar que FHC tinha afirmado o absurdo que foi o LULA não ter fincado posição contrária ao Irã quando do episódio da condenação da mulher Sakineh Mohammadi à pena de morte por apedrejamento, momento em que foi .contraposto pelo repórter "por apedrejamento não pode, mas com bala, como fazem os EUA, pode?". Marcelo parece ter ficado entusiasmado com o aparente "xeque-mate" aplicado pelo repórter no FHC. Fez em seguida um comentário, algo assim: "tem que denunciar as atrocidades dos dois lados, né".
Marcelo, é bom cantor e o que melhor Goiás conseguiu que aliasse tradição e modernidade. Me lembro, muitos anos atrás, ele ainda novinho (e eu ainda mais) vencendo festivais que ainda tinham por palco o "Cine-teatro Goiânia". Ó, tempo-rei!
Mas, Marcelo, atenção! Você não deve pegar carona no que é "sensível" e bonito de se dizer. Comparar a maior democracia do ocidente (do mundo, porque democracia é invenção ocidental), em que o presidente está submetido à Lei e ao Congresso, onde nunca houve golpe de estado, onde há a mais completa liberdade de expressão e religiosa, onde os direitos fundamentais da pessoa humana são quase uma segunda religião a uma tirania atroz, completa e acabada como o Irã (não há liberdade de expressão, não há liberdade política, não há liberdade religiosa, onde uma aristocracia religiosa manda na Nação, onde direitos humanos são uma tolice, onde cada cidadão deve se tornar um militante da causa do governo) é coisa de gente do miolo mole. Conselho grátis: se você não conhece um assunto, abstenha-se de comentá-lo. É mais honesto, é mais elegante e combina mais com você. Outro, fuja da tentação de "pagar pedágio" ao Mal mostrando as imperfeições do Bem!
Saudações deste Comentador
terça-feira, 26 de outubro de 2010
PORQUE VOTO NO SERRA

Caro amigo (a),
Quero pedir sua licença e atenção para expor as razões do meu voto no Serra. Sei que nunca falei sobre isso, mas o momento é mais que oportuno: é crucial! Não se trata de maior ou menor desenvolvimento econômico. Essa é uma falsa questão! A dinâmica da economia brasileira garante o controle sobre eventuais aventuras desastrosas de quem quer que venha a ser o Presidente (a isso se dá o nome de "estabilidade econômica", começada no governo Itamar, mantida no governo Fernando Henrique e no governo Lula- basta ver que o presidente do Banco Central nunca foi mudado no governo Lula, apesar de ser “tucano”).
A encruzilhada em que o Brasil se encontra, cujo caminho será decidido nesse próximo 31 de outubro diz respeito aos valores que irão nortear a Nação pelos próximos vinte, trinta anos, enfim, por um período que se estende para a geração de nossos filhos e netos.
Nenhum progresso consistente, nenhuma felicidade duradoura, nenhuma harmonia construtiva podem acontecer em uma sociedade que não cultiva valores morais. São os valores morais que nos adverte contra a máxima: “os fins justificam os meios”. Não é verdade! Buscar fins sem se submeter a meios lícitos é o caminho percorrido por todas as tiranias. Só as sociedades democráticas buscam fins respeitando os meios.
Não se deve esperar que os políticos falem sempre a verdade. Poucas pessoas conseguem ser absolutamente verdadeiras. Mas quando um político (ou grupo político) usa a mentira como método e não como desvio, estamos diante de uma visão traiçoeira, cujo único valor é a conquista do poder. Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler, dizia: “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Na verdade, após o bombardeio da mentira, a sociedade cai exausta e confusa e passa a aceitar a mentira como verdade e a verdade como mentira. A partir daí a colonização das almas estará completa e o povo estará pronto para acreditar nas mentiras mais medonhas. Só a título de exemplo, o ditador norte-coreano Kim Il Sung (o pai), quando de sua morte, não foi enterrado, mas levado por uma infinidade de pássaros para o paraíso nas montanhas! Todos acreditam nisso e ai daquele que ousar descrer. Ao invés de duvidar dessa fantasia, o cidadão norte-coreano apressa-se em aceitar essa e outras mentiras estatais. Já não reage. Colabora docilmente!
Abaixo, elenco algumas razões do voto no Serra:
1- TRANSPARÊNCIA: É menos obscuro. Sabemos quase tudo de sua vida pública (e o essencial sobre sua vida privada), suas ações e idéias políticas. A Dilma mantém na penumbra sua vida familiar (quantos maridos teve? quem é seu parceiro atual?), suas ações na clandestinidade e luta armada (sabe-se que que participou das organizações terroristas COLINA e VAR-PALMARES -onde também atuou o Lamarca-, sabe-se que participou do roubo do COFRE DO ADEMAR (Ademar de Barros Filho), mas não se sabe exatamente quais foram suas ações, atirou, matou, seqüestrou, planejou...).
2- VALORES DEMOCRÁTICOS: o Serra defende a democracia representativa e a liberdade de imprensa como básicos. A Dilma (o PT e todos do Foro de São Paulo) são marxistas-leninistas, ou seja, visam substituir a sociedade pelo Partido. Isso é voltar 80 anos na história. (veja o que está ocorrendo na Venezuela). O PT tem por meta o socialismo e nunca renunciou a isso. Seus modelos são os modelos marxistas de Cuba, China e a antiga União Soviética. Nesses países, socialismo só fez aumentar a miséria e a tirania
3- VALORES MORAIS: A Dilma nunca foi e nem será cristã (a quem ela pensa enganar?). Esse tipo de gente, na sua intimidade, detesta os "valores burgueses": Deus, família, a Lei, a tradição, oposição às drogas, oposição à dessacralização do casamento, oposição ao aborto, amor à verdade e oposição à mentira, ou seja, tudo aquilo que nos faz mais que meros elementos de uma cadeia biológica.
Um abraço
Edson Moreira
domingo, 8 de agosto de 2010
A LEI ANTIPALMADA ESTÁ ERRADA NA FORMA E NO CONTEÚDO

Sobre a lei recentemente encaminhada ao congresso pelo ex-presidente Lula e que agora sobe para sanção da presidente Dilma, que visa criminalizar as chamadas palmadas pedagógicas, é importante aprofundar a análise, vez que a aparente inocência da norma esconde razões e conseqüências de importância ímpar e decisiva para o conjunto da sociedade brasileira, tanto no que alcança a integralidade da família, quanto para a relação sociedade-estado. Abaixo vou esclarecer porque a proposta é um tremendo equívoco, nos seus aspecto formais, em seu conteúdo e em seus objetivos.
EQUIVOCADA EM SEU CONTEÚDO.
A iniciativa parte de uma equivalência errada “palmada = violência”. São coisas distintas. Não me ocorre que qualquer pessoa adulta nunca tenha recebido, quando criança, uma palmada de seus pais e nem por isso sinta ter sido violentada ou apresente comportamentos sociopáticos. Propalar que uma palmada seja traumática para a criança é puro chute; equivale a acreditar que uma criancinha quando está aprendendo a andar e sofre uma daquelas inúmeras quedas nas quais cai sentada ficará por isso paraplégica. Essa crença indica extrema ingenuidade e desconhecimento dos mais elementares rudimentos do desenvolvimento infantil.
Outro erro de conteúdo ainda mais grave e mais acentuado que o anterior é a afirmativa recorrente dos defensores da lei antipalmada de que controlar a criança com uma palmada é introduzi-la no mundo da violência, é a uma forma de induzi-la a aceitar a violência como recurso legítimo no alcance dos objetivos. Assim, por imitação, a criança iria se tornar violenta. Escapa a esses ideólogos que a imitação é somente um dos componente da formação da personalidade, outros fatores aí se somam, inclusive a capacidade que o meio (os pais) tem de controlar a impulsividade e agressividade naturais da criança. Fosse somente a imitação a constituir a personalidade e pautar o comportamento da criança, bastaria um pai bom e tolerante, que nunca estapeasse o filho, para que o filho se tornasse também bom, isto é, uma pessoa pacífica e não agressiva. Mas o que se vê rotineiramente são pais desesperadamente tolerantes, que tudo permitem e fazem para seus filhos. Tolerantes com todas as suas extrapolações; em contraposição a filhos agressivos, violentos e egoístas, não raro descambando para a delinqüência. Não! Os filhos não imitam tudo de seus pais; na verdade, os filhos filtram das influências dos pais aquelas que são adequadas a seus desejos. O que inibe a impulsividade e a agressividade (naturais em toda criança) é o controle que o pai ou a mãe exercem sobre o filho. Nesse sentido, controle é mesmo o objetivo educacional.
Não há, contudo, somente uma única forma de controlar. Esta, depende muito do temperamento, cultura e recursos dos pais. Entre as formas de controle podem ser citados o controle verbal (através do sermão, diálogo, ou da instrução), os castigos físicos como surras e palmadas e os castigos de restrição da liberdade e retirada de privilégios. Alguns desses se tornaram obsoletos, como as surras, outros, sabidamente inócuos com crianças, como os sermões/assertivas verbais e, por fim, o grupo variado dos castigos que hoje são conhecidos e pesquisados e que bem empregados podem se ajustar às várias situações que exigem controle.
Para que a palmada seja completamente abandonada e o controle verbal possa lograr êxito é preciso que este seja capaz de desempenhar as funções ora ocupadas pela palmada. Uma função, em especial, fica muito prejudicada nessa substituição: o controle da desobediência. Há várias situações, cotidianas, em que a criança pequena, tentada por seus impulsos, não será contida por palavras, por mais ásperas e gritadas que sejam. Quem nunca viu uma mãe quase “louca” em um supermercado a suplicar para que o filho devolva a caixa de chocolates à gôndola? Ou crianças rolando de birra no chão ante a negativa da mãe em lhe dar o sorvete? Nessas situações de birra agressiva ou escandalosa e de recusa à obediência é necessária a contenção do comportamento da criança. Ocorre que conter uma criança em situações semelhantes (segurando-lhe os braços, por exemplo-que já é uma ação física) é extremamente cansativo e a criança tende a resistir a essa contenção (se agitando, chorando, chutando, xingando, cuspindo etc) levando os pais a afrouxarem em seu controle. Assim, a conduta de resistência da criança vai sendo aos poucos reforçada, pela exaustão a que levam os pais. Daí para frente, com o repertório de desobediência reforçado, a criança passa a ser “dona” de si e da família, submetendo os pais a seus mimos e caprichos. É preciso ficar claro para essas crianças que sua conduta lhes traz conseqüências desagradáveis, entre as quais, o “castigo da cadeirinha” e, em sua impossibilidade, a palmada pedagógica. Somente a certeza dessa punição pode controlar com eficácia os comportamentos desobedientes da criança pequena. É preciso ficar claro: a criança ser controlada por ações verbais é secundário à aprendizagem de ser controlada por ações físicas.
EQUIVOCADA EM SUA FORMA.
A intrusão do estado no íntimo da ação familiar educativa sinaliza uma direção autoritária (poderia se dizer até mesmo fascista) que visa desqualificar a família como instância autônoma e básica na formação das crianças. Onde passa um boi, passa uma boiada, diz o ditado popular. Uma vez aberto o precedente, o estado poderá se arvorar em regulador de outras situações educacionais: qual a comida devem os pais dar aos filhos?; que programas deverão os filhos ver?; que assuntos os pais poderão aventar com os filhos e quais seriam proibidos?; que castigos os pais poderiam aplicar aos filhos e quais seriam proibidos?; como os pais deveriam regular a iniciação sexual dos filhos e toda a sorte de situações para as quais haveria um jeito “certo” e prescrito por algum especialista burocrático do governo, até que chegássemos finalmente ao momento em que as relações familiares se tornariam baseadas não mais no amor, mas na adequação à lei, esvaziando a família do que tem de mais sagrado: preparação amorosa de cada novo membro da sociedade humana. Um passo nessa direção já foi dado quando se estabeleceu a norma de que o pai que não amar seu filho pode ser condenado a multas e indenizações.
Não se pense aqui que esse absurdo jamais seria alcançado. Na ficção, George Orwell nos dá uma amostra dessa situação em seu terrível, mas imprescindível, 1984. Para aqueles que não acham a ficção argumento válido, exemplifico com a história real. O Camboja revolucionário e a chamada “Revolução Cultural” da China de Mao Tzé Dong. Nesses paraísos, os filhos (ainda crianças) eram braço auxiliar da repressão estatal e não titubeavam em denunciar seus próprios pais ante a presença de qualquer sinal de atividade proibida, como, por exemplo, ler, ou recitar poesias que enfatizassem o “eu” em lugar do “nós”.
EQUIVOCADA EM SEUS OBJETIVOS
Se o objetivo da lei “antipalmada” é mesmo o de proteger a criança de maus tratos praticados por seus pais, então seus efeitos são completamente inócuos, pois já há leis penais que são aplicáveis às várias situações de aviltamento da criança, enquanto que o texto proposto não produz efeitos na justiça penal. Contudo, se o objetivo da lei é o de “conscientizar” os pais de sua responsabilidade e de seu papel, estamos diante de um governo que não sabe o que fazer para evitar que quarenta mil jovens morram por ano no Brasil em crimes decorrentes do tráfico e consumo de drogas, mas se julga competente para ensinar aos pais como devem educar seus filhos. Como são pretensiosos os nossos técnicos estatais! O governo quer proibir a palmada nos filhos, mas acha legítimo a palmada nos pais!
Na verdade, essa é mais uma ação de um grande projeto de reengenharia social que visa: 1º esvaziar o sentido da família tradicional, 2º esvaziar a sociedade dos valores cristãos, 3º implementar o projeto revolucionário marxista-gramsciano, mas este último parágrafo é tema para um próximo post.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
AS FUNDAMENTAIS VITÓRIAS CULTURAIS DO ESQUERDISMO
NOTA INTRODUTÓRIA:
Por vitória cultural, entenda-se a validação midiática de uma afirmação que não corresponde à realidade. Uma mentira, portanto, tornada verdade pela repetição insistente de ativistas midiáticos e “formadores de opinião”. Nem todos os que reproduzem essas “verdades” sabem de sua gênese fraudulenta. A rigor, sua maioria acredita piamente nesse discurso: são os fundamentais inocentes úteis, soldados e praças. Contudo, há os astuciosos, que compõem a parte formuladora da estratégia. São os generais da guerra cultural!
Os temas serão postados aos poucos, na medida de sua elaboração. Neste momento apresento as quatro primeiras "vitórias culturais do esquerdismo". As demais virão nos posts seguintes.

A VERSÃO DIFUNDIDA: O mundo é palco de ditaduras, presentes e passadas, sendo o nazismo, a pior de todas, uma ditadura de direita, portanto, engendrada ou apoiada pelos capitalistas liberais.
A VERDADE: O nazismo nem foi a pior de todas as ditaduras e nem de longe se aproxima do liberalismo capitalista. Vejamos: o nazismo vitimou cerca de dez a doze milhões de perseguidos, em sua maioria judeus, ciganos e pentecostes. Somente no período em que a China comunista foi dominada por Mao Tze Dong, entre mortos de fome (para gerar excedente exportável de cereais) e execuções, a conta passa dos oitenta milhões de almas.
Por outro lado, nazismo é uma sigla que significa Nacional Socialismo. Esta observação já deixa claro o norte teórico que subjaz a essa triste experiência da humanidade.
O nazismo está centrado no controle pelo estado tanto da atividade econômica quanto da liberdade individual. Com efeito, o nazismo não abole a atividade empresarial, mas a submete ao controle estatal, através de toda a sorte de regulamentos, licenças e controles, o que torna o empreendimento empresarial uma atividade cartorial que nada tem em comum com o liberalismo econômico. Por outro lado, o indivíduo, como instância dinâmica da sociedade é colocado sob severa repressão. A conduta pessoal, nesse contexto, passa a ser decidida não pela individualidade, mas pelos controladores estatais.
É por demais nítida a semelhança com os princípios socialistas/comunistas: estado forte, indivíduo fraco e, sobretudo, o completo desprezo pela democracia. Nada mais distante do liberalismo capitalista!
SEGUNDA: A BANDIDAGEM É FRUTO DE UM SISTEMA ECONÔMICO INJUSTO.
A VERSÃO DIFUNDIDA: O comportamento delinqüente tem origem nas carências sócio-econômicas dos criminosos. Trata-se de um último recurso, extremo, contra um sistema concentrador da riqueza em mãos de poucos. A violência da concentração de renda produz a violência dos assaltos, seqüestros, assassinatos, tráfico de drogas etc.
A VERDADE: o comportamento delinqüente não está correlacionado com deficiências econômicas, mas a transtornos de caráter e deficiência nos controles sociais. Dados estatísticos, objetivos, portanto, além de estudos criminológicos demonstram que o comportamento criminoso é proporcionalmente igual em todas as classes sócio-econômicas. Simplesmente há mais delinqüentes oriundos das classes mais pobres porque esse seguimento é imensamente mais numeroso que os demais. Há uma ressalva a fazer, contudo. No Brasil, o comportamento delinqüente nos bolsões de pobreza (favelas, periferias etc), tem sido legitimado e, até, incentivado por intelectuais e ativistas esquerdistas. Essa justificativa, quando interiorizada, funciona como um “habeas corpus subjetivo” (aquele fluxo de pensamento, uma consciência má, que vai produzindo um estado de vitimismo interior justificador da transgressão) que poderá findar em aumento da criminalidade. A estratégia esquerdista parece ser essa mesma: quanto mais crimes e descontrole social, maior o argumento de que o sistema não presta, está falido etc. É como um médico maluco que inocula veneno no paciente e depois afirma que o paciente está doente, precisando de seus cuidados etc
TERCEIRA: O POBRE É BOM, POR SER POBRE. O RICO É MAU, POR SER RICO.
A VERSÃO DIFUNDIDA: No Brasil, a idéia de que o pobre seja essencialmente bom só por ser pobre e o rico seja essencialmente mau só por ser rico, está maciçamente entronizada em toda a nossa dramaturgia, literatura, televisão, entre outros. A partir dessa maciça carga de doutrinação, as pessoas começam a repetir a mensagem em sua forma de se comportar e fazer suas escolhas.
A VERDADE: à idéia geral de que o pobre seja essencialmente bom só por ser pobre e o rico seja essencialmente mau só por ser rico não resiste à mais simples análise. É incabível considerar que o caráter da pessoal muda conforme mudam suas posses. O caráter é uma construção que se consolida muito cedo na vida da pessoa, através de suas identificações primárias. A condição financeira sofre oscilações ao longo da vida: quem era rico, pode ter ficado pobre; quem era pobre, pode ter ficado rico. Como poderia o acidental mudar o essencial? Ademais, por verificação própria, quem nunca conheceu um pobre mau-caráter ou um rico reto? A difusão dessa idéia por meios subliminares visa criar uma falsa dicotomia: os pobres contra os ricos! Essa é, aliás, a antinomia revolucionária mais básica e estabelecida nos primórdios da teorização marxista: proletários X capitalistas.
QUARTA: O TERRORISMO SÓ PODE SER VENCIDO PELA TOLERÂNCIA (COM OS TERRORISTAS)
A VERSÃO DIFUNDIDA: O terrorismo é a única resposta possível quando o sistema legal de um país não aceita as reinvindicações de uma minoria ou de uma outra nação. Quanto mais repressão houver, maior será o ressentimento e o incremento dos atos terroristas. Assim, as nações devem lidar com o terrorismo pela via do diálogo e da negociação, nunca com a repressão, como a atual guerra anti-terror!
A VERDADE: O terrorismo consiste no uso da violência contra populações civis sem lhes possibilitar meios ou tempo para a defesa ou proteção. O ato visa mesmo aterrorizar os inocentes para que o sistema legal ceda em suas exigências. É um ato covarde pois não luta contra forças armadas, mas espalha morte e destruição entre pessoas desarmadas, desavisadas e indefesas.
Ceder ao terrorismo, dialogar com terroristas consiste no retorno à barbárie. O terrorismo visa solapar o trato civilizatório dos conflitos. Ao invés de ter a Lei por norma, a chantagem passa a ser a moeda de troca. No limite, ceder à chantagem do terrorismo levaria à uma nova era: a era das hordas primitivas com seus sistemas próprios de justiçamentos. O terrorismo só será vencido quando o mundo civilizado se convencer de que a mínima tolerância é um ato de auto-mutilação.
Mas por que a esquerda investe no diálogo com o terror? Não é somente por serem aliados estratégicos históricos. A ênfase da esquerda na defesa do terror é manter acuada a chamada civilização liberal. Ocupada em se justificar, a civilização capitalista liberal permite ser atacada por diversos flancos. Afinal, é muito mais difícil atacar uma civilização que tem consciência de ser o que de melhor a humanidade produziu do que por abaixo uma civilização que vive em conflito e sentimento de culpa por seu sucesso!
Edson Moreira
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE: HÁ VERDADE NESSE LEMA MODERNO?

Mas quando se afirma a igualdade entre os seres humanos, de quê estamos falando mesmo? E, seja lá o que for essa igualdade, seria ela compatível com a liberdade? Voltemos um pouco na história para entender o estado da questão.
Se formos buscar as origens da idéia de igualdade como guia-mestra da justiça, chegaremos ao próprio Cristo e, antes d`Ele, aos gregos (adiante se verá em que medida essa afirmação é confirmada pelos fatos). Modernamente, esse marco foi estabelecido pela revolução francessa, com seu lema "Liberté, Égalité, Fraternité”, lema este logo depois adotado pela Maçonaria francesa e difundido por todo o globo, acabando por se tornar seu lema universal. Aqui há uma correção a ser feita sobre o que foi dito. Na verdade, o lema original da revolução francesa era "liberté, egalité ou la mort". Somente com a chamada 2ª República, em 1848, (quase sessenta anos após a eclosão do movimento revolucionário) é que o termo “la mort” foi substituído por “fraternité”. Essa alteração não foi fortuita, mas responde às dificuldades em combinar igualdade com liberdade. Sabe-se que a revolução francesa guilhotinou mais de cem mil pessoas em pouco tempo. Simplificadamente, se pode afirmar que, não logrando êxito em conciliar o seu “liberté” com o “egalité”, sobrou aos revolucionários o seu “la mort”, que teve de ser substituído pelo “fraternité”, para acabar com a matança. Mas por que? Que dificuldade insuperável há em conciliar igualdade com liberdade?
Começo pelas dificuldades em precisar o conceito de igualdade. Parece que há acordo entre os biólogos de que temos uma igualdade genética. Mas essa igualdade genética não garante igualdade corporal e psíquica. Uns são baixos, outros, altos; uns negros, outros, brancos, outros, amarelos, outros tantos, mestiços; uns tem capacidade atlética, outros, intelectual, outros, intermediárias; uns são mais bonitos, outros, muito feios. Todas estas “desigualdades” produzem efeitos comportamentais e desiderativos que tornam cada ser humano único, portanto, diferente. Senão, vejamos: uns querem estudar, outros jogar bola, ver novela ou namorar. Uns querem a engenharia, outros a medicina, ou a administração, ou jogar cartas. Uns lutam para se enriquecerem, outros lutam por um grande amor; um ama a Joana, mas não é correspondido, outro ama a Maria que lhe corresponde. Enfim, cada um deseja e luta por uma coisa que é somente sua. Para que todos fossem iguais, dever-se-ia controlar seu desejo. A base do igualitarismo é o desejo controlado. Ora isso somente é possível mediante a supressão da liberdade. Um mundo em que o desejo pessoal é controlado por um agente externo não é um mundo de liberdade, mas de opressão.
E aqui nos deparamos com as dificuldades encontradas pelos revolucionários de 1789: não há como conciliar igualdade com liberdade. Se sou livre, sou livre para ser diferente; se tenho que ser igual, onde está minha liberdade?
Essa incompatibilidade já foi demonstrada pela história. A partir das dificuldades da Revolução Francesa, o mundo tomou dois caminhos diversos: uma parte privilegiou a liberdade, em detrimento da igualdade; outra parte, privilegiou a igualdade, em detrimento da liberdade. Não é à toa que durante todo o século XX o mundo tenha se dividido entre o liberalismo (liderado pelos EUA) e o comunismo (liderado pela extinta URSS). A queda do bloco comunista com a dissolução da URSS, e a restauração das autonomias nacionais, parece ter indicado o caminho da liberdade. De fato, a única igualdade possível é a igualdade perante as leis, toda a igualdade que compulsoriamente vai além, produz opressão.
Mas porque o discurso igualitarista/libertador retorna se já fracassou, tão definitivamente?
É difícil saber porquê pessoas insistem em algo fracassado. Talvez por teimosia. Talvez por ignorância do fracasso (muitas pessoas não têm conhecimento dos fatos acima narrados) e, por fim, porque para certas pessoas não houve fracasso algum, mas um objetivo calculado que não foi alcançado por acidente de percurso. Trata-se, pois, de uma posição capciosa, malandra, de quem esconde seus reais objetivos. Nesse caso, os sectários dessa posição sabem muito bem que um sistema igualitarista irá suprimir a liberdade, mas não se importam, pelo contrário, perseguem mesmo a meta de supressão da liberdade. Mentes tiranas odeiam a liberdade, a lei, a democracia. São legiões, lobos em pele de cordeiro, que ciclicamente retornam para perpretar seu intento nocivo, como o demonstra a experiência histórica. Assistimos hoje, especialmente no Brasil, a uma profusão de “humanistas” de fachada, com discurso igualitarista, mas que anseiam pela destruição da democracia e da liberdade. Atentai!
Edson Moreira
sábado, 22 de agosto de 2009
SANHA AUTORITÁRIA
Sob tutela
Quando uma doutrina autoritária chega ao poder, ela pode se expressar de várias formas, e até, à primeira vista e formalmente, dentro da lei. Há medidas tomadas, nas esferas federal e estadual, em que são bastante visíveis as impressões digitais de um tipo de visão segundo a qual a sociedade precisa ser vigiada, tolhida e, se for o caso, punida, para adotar "bons costumes".
A questão da proibição do fumo em qualquer espaço público comercial, em São Paulo e agora no Rio, é emblemática. Lastreada em propósitos louváveis - a preser-vação da saúde -, a proibição, por radical, cassa o direito do fumante, ao suprimir as áreas antes reservadas para ele.
Outra característica desta doutrina autoritária é eximir o Estado de responsabilidades, punindo terceiros por delitos configurados como tais por este tipo de norma. No caso do fumo, a punição recai sobre o dono do bar, do restaurante, do que seja. Em vez de o poder público se responsabilizar pela repressão, ela é transferida, por imposição pecuniária, a outros.
O mesmo ocorreu na louvável repressão ao uso do álcool por motoristas. Em vez de se ampliar a fiscalização policial nas estradas, tentou-se proibir a venda de bebidas no comércio à margem das rodovias, em prejuízo dos lojistas. Quase, também, fizeram o mesmo com as lojas de conveniência urbanas.
O novo enquadramento das farmácias é típico. Por determinação da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, os estabelecimentos passam a ser proibidos de vender mercadorias que não sejam medicamentos. A decisão carece de lógica, por ser risível o argumento do combate à automedicação. Mais uma vez, pune-se o empresário porque o Estado não consegue fazer cumprir a regra da obrigatoriedade de receita médica para certos remédios.
A mesma Anvisa, por causa deste viés autoritário, move intensa cruzada contra a publicidade de medicamentos - as de antigripais foram suspensas por causa da gri-pe suína - e de alimentos para crianças. Ou seja, os pais e as pessoas em geral precisam ser contidas na ânsia consumista, pois não têm discernimento para decidir o que é bom para a família.
A visão de um Estado tutelador de uma sociedade tida pela autoridade pública como infantil e imatura também transparece na ação do Ministério da Saúde de fazer desaparecer o antiviral Tamiflu das farmácias, eficaz droga contra a gripe suína, supostamente também para evitar a automedicação. Não é leviandade pensar que pessoas possam ter morrido pela falta do remédio nas prateleiras do comércio, somada à incapacidade de o Estado distribuí-lo pela rede pública.
O Brasil vive uma fase kafkiana: há liberdade, democracia, mas direitos individuais, inscritos na Constituição, começam de forma crescente a ser tolhidos por normas, portarias e leis redigidas alegadamente para defender a população. O Estado quer trancar a sociedade numa redoma, em nome da segurança dela, e ficar com a chave.
(Editorial de O Globo, dia 22 de agosto)
domingo, 21 de junho de 2009
PODE O RICO SER BONDOSO E O POBRE PERVERSO?
Mas sendo uma constatação óbvia, qual o sentido de trazer o tema para estes escritos? Respondo: porque apesar de auto-evidente no plano lógico, tal verdade não compõe a nossa disposição psicológica. Psicologicamente, é como se não houvesse ricos bondosos ou pobres maldosos. Porque é assim no Brasil? A pergunta se desdobra: quando, como e por que no Brasil uma verdade psicológica se descolou da verdade lógica? E, por fim, que conseqüências essa torção tem para a formação da “consciência nacional”?
A TORÇÃO
É claro, límpido e facilmente comprovável que, na dimensão psicológica, em nosso país, não pode haver ricos virtuosos, ou sua contra-parte, pobres torpes. Basta observar os noticiários, programas de rádio e tv etc, além da rede de informações provenientes das escolas e academias.
O linguajar popular é repleto de exemplos reforçadores dessa dicotomia. Expressões como “sou pobre, mas sou limpinho”, “morreu pobre, porém honesto”, “era uma pessoa extremamente pobre e boa”, “era rico, explorador e malvado”, “a riqueza é fruto da ganância” etc, etc. Se o rico comete um crime bárbaro é porque tem um caráter perverso (o que está certo); se o pobre mata ou estupra é por "motivações sociais" (o que está errado).
O cinema, tv e teatro são outro campo em que a dicotomia pode ser sobejamente observada. Na dramaturgia tupiniquim, invariavelmente, o vilão é um rico inescrupuloso, um empresário mau-caráter, um fazendeiro bruto e ignóbil. Sem contar aí as vilãs, sempre fúteis ou maldosas. Ser rico vem sempre acompanhado de uma suspeição de base: “a riqueza foi amealhada por expropriação ou exploração de algum pobrezinho”.
Já o pobre é apresentado como possuidor de bom coração, generoso, caráter íntegro, divertido, etc, cujo azar na vida se constituiu em ser explorado por algum ricaço de plantão. Vejamos um exemplo. Talvez a novela mais marcante da televisão brasileira tenha sido “Roque Santeiro”. Pois bem, nela, o vilão é o ricaço truculento “Sinhozinho Malta”, cargo dividido com a vingativa “viúva Porcina”. E os heróis? Aha, esses eram “gente do povo”, exploradas numa trama surrealista. Isso não é uma exceção, esse modelo é um padrão. Basta observar criteriosamente nossas produções ditas “culturais”.
Outra observação: já viu algum filme brasileiro exaltar as virtudes de coragem e defesa da Lei dos policiais? Eu nunca vi. Aqui (na nossa dramaturgia), policial é sempre corrupto e bandido. Alguns ativistas chegam a sugerir que o mundo seria muito melhor, quase um Éden, se não existisse a polícia. (não se dão conta de que nesse “outro mundo possível” prevaleceria a ordem do mais forte e violento, como já ocorre nos guetos do tráfico, onde prevalece a vontade do chefe, execuções sumárias e crueldades impensáveis como o tal "microondas"). E por que é assim? Simplesmente porque a polícia é tida como instrumento de dominação dos ricos.
Das escolas e academias partem as informações mais bem acabadas e estruturadas. “O problema do Brasil é a concentração de renda (leia-se, os ricos)”, “o Brasil é um país dominado pelos ricos, esses seres abjetos”. “O Brasil precisa acabar com a exclusão" (obviamente os ricos é que desejam a exclusão e a perpetuam). Dá vergonha ser rico no Brasil! Como são os responsáveis pela miséria que viceja Nestas Terras, devem ser imolados em praça pública.
Ao contrário de outras tradições, como a americana e a européia, em que a riqueza é vista como sinal de competência e dedicação, qualidades fundamentais para o desenvolvimento da nação e da própria família, em nosso país, a riqueza é vista como responsável por todos os nossos males. Há mesmo pessoas, ditas intelectuais, muito influentes, que acreditam piamente que seríamos muito mais felizes retornando a um estágio pré-civilizatório, qual índios na relva, na campina e na mata. Nesse mundo edênico não haveria espaço para o demônio da riqueza!
AS CAUSAS DA TORÇÃO
Muito se poderia dizer a respeito de como essa tradição anti-rico floresceu entre nós, mas vou me concentrar nas motivações mais recentes e virulentas.
Embora essa tradição já venha de longa data, como reação ao poderoso colonizador lusitano, é certo que foi imensamente ampliada e potencializada pelos ativistas socialistas-marxistas, a partir de meados do século passado. A utilização de toda a classe intelectual no esforço revolucionário foi prevista e estimulada pelo ideólogo comunista italiano Antonio Gramsci.
Essencialmente, o teórico marxista apontava a precedência da vitória cultural sobre a transformação econômica socialista. Segundo ele, de nada adiantaria a mudança do controle econômico para a classe proletária se sua mentalidade continuasse a operar nos moldes capitalistas. Antes da mudança econômica, deveria ocorrer a transformação psicológica. A mentalidade das pessoas deveria ser dirigida, controlada, sem que se dessem conta, até que, amistosamente, pudessem se entregar ao ideário comunista. Daí a suprema importância dos intelectuais (jornalistas, escritores, professores, pedagogos, psicólogos etc), pois eles ditam a pauta e o tom dos meios de comunicação, além de condicionar, pelo discurso repetitivo, a formação dos jovens nas escolas e universidades. Curiosamente, esse condicionamento psicológico pavloviano é chamado de “conscientização”, sendo obviamente o contrário!
A partir das idéias de Gramsci, se pode entender o enorme e bem sucedido esforço da intelectualidade brasileira contra aqueles a quem chamam poderosos: os ricos! Não há produção intelectual, artística, jornalística que não venha impregnada, em menor ou maior grau, do binômio “pobre-bom; rico-mau”. Dessa forma, sem que se apercebam, as pessoas vão introjetando um conjunto de informações, visões de mundo, que as preparam para, a partir daí, aceitarem, como certas, quiméricas manipulações psicológicas, como o tema presente de julgar o caráter da pessoa pelo binômio riqueza-pobreza. Uma pessoa com a mente moldada dessa forma se tornará presa da sanha revolucionária e opositora do mundo democrático-liberal .
AS CONSEQUÊNCIAS PARA A FORMAÇÃO DA MENTALIADE BRASILEIRA
As conseqüências para a formação da mentalidade brasileira são deploráveis. Não ver o enriquecimento como virtuoso gera na pessoa uma corrente psicológica oposta que irá desviá-la do sentido do crescimento pessoal. A riqueza passa a ser percebida como uma fortuidade, para a qual em nada a conduta pessoal contribui, mas a sorte, o destino etc. Esse ponto é fundamental: a riqueza deve ser completamente desvinculada do esforço e atuação pessoais para poder ser repudiada como instrumento do crescimento pessoal.
Para a Nação brasileira sobra o caminho errático na solução dos problemas. Não se concebe superar o estágio atual de pobreza pelo estímulo ao trabalho, aos estudos, respeito às leis e empenho pessoal de cada um dos brasileiros, mas pela legitimação da inveja, do distributivismo e do vitimismo. É puro Brasil!
E as palavras precisam ser ditas: pobreza não é virtude. É somente um sinal de subdesenvolvimento pessoal e familiar que precisa de todo o empenho da geração mais jovem para sua superação. Penso que a melhor homenagem que o filho presta à educação que recebeu dos pais é enriquecer honestamente.
Ser rico não pode ser carta branca para desrespeitar as leis. Ser pobre não pode ser fonte de privilégios e de vitimismo!