terça-feira, 17 de maio de 2011

PARA QUE SERVE O ESTUDO DA LÍNGUA?

Caros,
Estamos vivendo uma época estranha! Nunca se buscou tanto justificar o erro e mudar o nome das coisas dolorosas; tudo em nome do combate ao preconceito. Para isso, prostituta deve ser chamada de profissional do sexo; anão, de portador de altura prejudicada; pobreza, de exclusão; cachaceiro, de dependente alcoólico; maconheiro, de dependente químico e por aí vai.
Nesta semana, veio a lume mais uma pérola dessa linguagem politicamente correta. Patrocinado pelo MEC (sempre ele), um certo livro de português (acreditem, livro que deveria ensinar o domínio do idioma pátrio) intitulado Por Uma Vida Melhor, com tiragem e distribuição de quase 500.000 cópias, pagas com o nosso capilé, ensina a garotada que “às vezes o certo é falar errado”. Alguns exemplos extraídos do livro ajudam a entender a questão:
“Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado”;
“Nós pega o peixe”;
“Os menino pega o peixe”.
Observem as orações acima. O erro de concordância, que deveria ser apontado como erro para ser corrigido, é validado pelo livro. “Trata-se de uma variante popular legítima que cumpre sua função de comunicar”.
Mas a coisa não pára (ainda não aderi à reforma ortográfica) por aí. Não satisfeita em validar o erro, a autora busca satanizar quem não aceita seu delírio demagógico. Para ela, as pessoas que querem que o aluno fale corretamente são preconceituosas, pois incorrem em preconceito lingüístico. Pronto! Sou agora um preconceituoso que não respeita o direito que o aluno tem de falar errado. Resta, contudo, uma questão: para quê servem os livros de gramática e os professores de português se o erro e o acerto podem ser permutáveis “ad libitum”?
Contudo, para não me acusarem de má vontade e incompreensão com esses valentes progressistas, que morrem de amor pelo povo, eu me penitencio e passo a fazer algumas contribuições com a causa.
-preconceito aritmético: além de combater o preconceito lingüístico, vamos combater o preconceito aritmético. Doravante, quem apontar o dedo contra a conta 2+3=4 deverá ser enquadrado imediatamente na categoria preconceituoso e desligado de qualquer função pública (afinal, esse preconceito atinge em cheio as classes pobres);
-preconceito histórico: deverá ser aceita como variante válida a afirmação de que a revolução industrial se deu na França e a revolução francesa, na Inglaterra; afinal tudo é Europa. Essas sutilezas deverão ser abolidas, vez que não passam de elitismo;
-preconceito de arquitetura: isso de exigir um arquiteto para projetar casas e apartamentos está condenado; a partir de hoje pedreiros e mestres-de-obra terão o mesmo direito de projetar essas habitações, afinal não são eles que fazem os imóveis?
-preconceito das boas maneiras à mesa: doravante, reparar em cotovelos na mesa, em falar com a boca cheia, em pegar os alimentos com a mão, em arrotar à mesa de jantar será terminantemente proibido, afinal, essas são condutas absolutamente populares;
Essa é minha modesta contribuição para evitar que os preconceituosos conduzam a Nação
Edson Moreira

O DESENVOLVIMENTO DE UMA PSICOSE ASSASSINA

Caro Leitor,

Em relação à chacina dos estudantes de Realengo pelo assassino Wellington, faço as seguintes ponderações sobre a doença mental da qual era portador, do ponto-de-vista de sua estrita evolução psicológica, a partir de informações sobre seu comportamento, infância e adolescência publicados na imprensa.

O mundo protegido da infância.

Normalmente, na infância, somos paparicados e protegidos pelos nossos pais ou sucedâneos. Não temos grandes responsabilidades, a vida é uma procura incessante por diversões (um pouco quebrada pelas obrigações escolares) e o mais importante: temos o amor da única mulher que nos importa: a mãe! Se queremos um beijinho, a mamãe ali está; se queremos cafuné, idem; se queremos atenção, basta um chilique ou uma birrinha e lá vem a mamãe a nos acudir. Até onde as informações disponíveis apontam, esta foi, também, a infância do atirador (parece, até que com ele os mimos maternos foram ainda maiores, apesar de adotado).

O mundo de conflito e luta da adolescência.

Na adolescência, contudo, nada é fácil. Já não nos satisfaz termos o amor incondicional da mãe e o espaço de casa se torna monótono. Queremos o beijo da menina bonita e ser vencedores no grupo de amigos e nas lides sociais. Ocorre, nesse momento, toda a sorte de atribulações, temores e terrores! A rejeição da menina bonita e o fracasso na patota constituem verdadeiras fontes de angústia e frustração. Todos passamos por essa tormenta, mas cada um reage diferentemente e, por isso, constrói um destino diferente.

As conseqüências para os não esquizofrênicos.

O jovem sem base genética para esquizofrenia reage de forma variada aos conflitos e frustrações da adolescência. Compõe um espectro que vai desde uma pequena irritação ou depressão leve até o transtorno de conduta ou depressão grave.

Nos casos felizes, a frustração e decepção vão dando lugar a uma reorganização do ego, mais em acordo com a realidade, ou seja, o adolescente constrói uma visão clara e realista de suas possibilidades. “Se não sou bom nisso, posso ser bom naquilo, se esta não me quer, aquela pode me querer”; e assim, vai aprendendo a temperar as frustrações com possibilidades de sucesso e recuperação. Uma perda já não tem mais aquele caráter catastrófico e definitivo que tinha. O medo fica sob controle e a esperança prevalece.

Nos casos mais difíceis, a frustração e decepção empurram o sujeito ora para o retraimento, ora para os comportamentos antissociais. Na primeira situação, pode se tornar tímido, retraído e até mesmo portador de uma depressão grave e duradoura. Na outra situação, torna-se um pequeno delinqüente ou até mesmo um perigoso bandido.

É necessário acrescentar que seja no caso dos retraídos, seja no caso dos antissociais, não é raro o envolvimento com toda a sorte de drogas, pelo seu efeito de eliminação mágica da dor, da frustração e do fracasso.

As conseqüências para os esquizofrênicos.

Contudo, quando há base genética para a esquizofrenia, esse momento de enorme turbulência, que é a adolescência, se torna mesmo insuportável e o indivíduo vai temperando suas frustrações não mais com a esperança de compensar as perdas com possibilidades reais de vitórias (“ se essa não me quer, aquela pode me querer etc...”), mas com o desligamento da realidade. No tipo paranóide, a realidade impositiva, vai sendo temperada por um fantasiar desconecto da realidade (sem nexo evolutivo com o real). Nesse mundo fantasioso (a princípio sob controle, mas logo depois incontrolável) o doente vai construindo o que lhe falta na realidade. Se se sente humilhado no real, passa a ser altivo no delirante; se se sente fraco no real, passa a ser forte no delirante; se se sente desprezado no real, foca o desprezo nos outros no mundo de seus delírios etc. Com o passar do tempo, o delírio vai se estruturando e alcançando mais coerência interna até chegar o ponto em que todos os eventos objetivos são julgados a partir desse núcleo central: eu sou bom e heróico, os outros são maus e covardes! Já acreditando em sua força-fantasia, o sujeito começa a elaborar os devaneios de vingança, sempre com base em seu conceito próprio de justiça: “todos que me desprezaram são maus e têm que pagar”.

Nem sempre os paranóicos se tornam assassinos, mas essa é sempre uma possibilidade nada escassa! Foi esse o caminho tomado pelo atirador do realengo: um homem cuja auto-decepção foi tão insuportável para sua frágil e esquizofrênica estrutura que acabou por gerar um ego vingador até as últimas conseqüências.

A questão das armas.

O crime perpetrado não pode ser “lido” como efeito do uso de armas por civis. Primeiro porque as armas eram ilegais, segundo porque se não houvesse armas de fogo, o assassino, poderia ter usado facas, bombas ou mesmo um automóvel contra um ponto-de-ônibus!

A questão do bulling.

Muito valorizada a questão do bulling no ocorrido no Realengo, deve, contudo ser relativizada, por uma razão muito simples: quase todos os adolescentes e crianças foram em algum momento da vida alvo de crítica, zombaria e exclusão dos grupos influentes, sem terem se tornado, por isso, assassinos. O bulling não produz tamanho estrago, mas, atenção!, a cultura justificadora que proporciona o bulling pode vir a ser a fomentadora midiática a induzir ações agressivas.

Uma palavra sobre educação.

Nesse momento, cabe concluir. O melhor que os pais podem fazer para a saúde mental de seus filhos é ajudá-los a enfrentar a vida como ela é: dura, repleta de frustrações, mas que pode ser muito divertida e encantadora para quem lida bem com suas limitações pessoais.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

COMENTÁRIO TIPO MIOLO MOLE:"IRÃ IGUAL A EUA" (MARCELO BARRA)

Essa foi de doer, Marcelo Barra!
Ao comentar a entrevista do FHC na semana passada, Marcelo elogiou isso e aquilo, mas acabou por ressaltar que FHC tinha afirmado o absurdo que foi o LULA não ter fincado posição contrária ao Irã quando do episódio da condenação da mulher Sakineh Mohammadi à pena de morte por apedrejamento, momento em que foi .contraposto pelo repórter "por apedrejamento não pode, mas com bala, como fazem os EUA, pode?". Marcelo parece ter ficado entusiasmado com o aparente "xeque-mate" aplicado pelo repórter no FHC. Fez em seguida um comentário, algo assim: "tem que denunciar as atrocidades dos dois lados, né".
Marcelo, é bom cantor e o que melhor Goiás conseguiu que aliasse tradição e modernidade. Me lembro, muitos anos atrás, ele ainda novinho (e eu ainda mais) vencendo festivais que ainda tinham por palco o "Cine-teatro Goiânia". Ó, tempo-rei!
Mas, Marcelo, atenção! Você não deve pegar carona no que é "sensível" e bonito de se dizer. Comparar a maior democracia do ocidente (do mundo, porque democracia é invenção ocidental), em que o presidente está submetido à Lei e ao Congresso, onde nunca houve golpe de estado, onde há a mais completa liberdade de expressão e religiosa, onde os direitos fundamentais da pessoa humana são quase uma segunda religião a uma tirania atroz, completa e acabada como o Irã (não há liberdade de expressão, não há liberdade política, não há liberdade religiosa, onde uma aristocracia religiosa manda na Nação, onde direitos humanos são uma tolice, onde cada cidadão deve se tornar um militante da causa do governo) é coisa de gente do miolo mole. Conselho grátis: se você não conhece um assunto, abstenha-se de comentá-lo. É mais honesto, é mais elegante e combina mais com você. Outro, fuja da tentação de "pagar pedágio" ao Mal mostrando as imperfeições do Bem!
Saudações deste Comentador

terça-feira, 26 de outubro de 2010

PORQUE VOTO NO SERRA






Caro amigo (a),

Quero pedir sua licença e atenção para expor as razões do meu voto no Serra. Sei que nunca falei sobre isso, mas o momento é mais que oportuno: é crucial! Não se trata de maior ou menor desenvolvimento econômico. Essa é uma falsa questão! A dinâmica da economia brasileira garante o controle sobre eventuais aventuras desastrosas de quem quer que venha a ser o Presidente (a isso se dá o nome de "estabilidade econômica", começada no governo Itamar, mantida no governo Fernando Henrique e no governo Lula- basta ver que o presidente do Banco Central nunca foi mudado no governo Lula, apesar de ser “tucano”).

A encruzilhada em que o Brasil se encontra, cujo caminho será decidido nesse próximo 31 de outubro diz respeito aos valores que irão nortear a Nação pelos próximos vinte, trinta anos, enfim, por um período que se estende para a geração de nossos filhos e netos.

Nenhum progresso consistente, nenhuma felicidade duradoura, nenhuma harmonia construtiva podem acontecer em uma sociedade que não cultiva valores morais. São os valores morais que nos adverte contra a máxima: “os fins justificam os meios”. Não é verdade! Buscar fins sem se submeter a meios lícitos é o caminho percorrido por todas as tiranias. Só as sociedades democráticas buscam fins respeitando os meios.

Não se deve esperar que os políticos falem sempre a verdade. Poucas pessoas conseguem ser absolutamente verdadeiras. Mas quando um político (ou grupo político) usa a mentira como método e não como desvio, estamos diante de uma visão traiçoeira, cujo único valor é a conquista do poder. Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler, dizia: “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”. Na verdade, após o bombardeio da mentira, a sociedade cai exausta e confusa e passa a aceitar a mentira como verdade e a verdade como mentira. A partir daí a colonização das almas estará completa e o povo estará pronto para acreditar nas mentiras mais medonhas. Só a título de exemplo, o ditador norte-coreano Kim Il Sung (o pai), quando de sua morte, não foi enterrado, mas levado por uma infinidade de pássaros para o paraíso nas montanhas! Todos acreditam nisso e ai daquele que ousar descrer. Ao invés de duvidar dessa fantasia, o cidadão norte-coreano apressa-se em aceitar essa e outras mentiras estatais. Já não reage. Colabora docilmente!

Abaixo, elenco algumas razões do voto no Serra:

1- TRANSPARÊNCIA: É menos obscuro. Sabemos quase tudo de sua vida pública (e o essencial sobre sua vida privada), suas ações e idéias políticas. A Dilma mantém na penumbra sua vida familiar (quantos maridos teve? quem é seu parceiro atual?), suas ações na clandestinidade e luta armada (sabe-se que que participou das organizações terroristas COLINA e VAR-PALMARES -onde também atuou o Lamarca-, sabe-se que participou do roubo do COFRE DO ADEMAR (Ademar de Barros Filho), mas não se sabe exatamente quais foram suas ações, atirou, matou, seqüestrou, planejou...).

2- VALORES DEMOCRÁTICOS: o Serra defende a democracia representativa e a liberdade de imprensa como básicos. A Dilma (o PT e todos do Foro de São Paulo) são marxistas-leninistas, ou seja, visam substituir a sociedade pelo Partido. Isso é voltar 80 anos na história. (veja o que está ocorrendo na Venezuela). O PT tem por meta o socialismo e nunca renunciou a isso. Seus modelos são os modelos marxistas de Cuba, China e a antiga União Soviética. Nesses países, socialismo só fez aumentar a miséria e a tirania

3- VALORES MORAIS: A Dilma nunca foi e nem será cristã (a quem ela pensa enganar?). Esse tipo de gente, na sua intimidade, detesta os "valores burgueses": Deus, família, a Lei, a tradição, oposição às drogas, oposição à dessacralização do casamento, oposição ao aborto, amor à verdade e oposição à mentira, ou seja, tudo aquilo que nos faz mais que meros elementos de uma cadeia biológica.

Um abraço

Edson Moreira

domingo, 8 de agosto de 2010

A LEI ANTIPALMADA ESTÁ ERRADA NA FORMA E NO CONTEÚDO




Sobre a lei recentemente encaminhada ao congresso pelo ex-presidente Lula e que agora sobe para sanção da presidente Dilma, que visa criminalizar as chamadas palmadas pedagógicas, é importante aprofundar a análise, vez que a aparente inocência da norma esconde razões e conseqüências de importância ímpar e decisiva para o conjunto da sociedade brasileira, tanto no que alcança a integralidade da família, quanto para a relação sociedade-estado. Abaixo vou esclarecer porque a proposta é um tremendo equívoco, nos seus aspecto formais, em seu conteúdo e em seus objetivos.

EQUIVOCADA EM SEU CONTEÚDO.
A iniciativa parte de uma equivalência errada “palmada = violência”. São coisas distintas. Não me ocorre que qualquer pessoa adulta nunca tenha recebido, quando criança, uma palmada de seus pais e nem por isso sinta ter sido violentada ou apresente comportamentos sociopáticos. Propalar que uma palmada seja traumática para a criança é puro chute; equivale a acreditar que uma criancinha quando está aprendendo a andar e sofre uma daquelas inúmeras quedas nas quais cai sentada ficará por isso paraplégica. Essa crença indica extrema ingenuidade e desconhecimento dos mais elementares rudimentos do desenvolvimento infantil.
Outro erro de conteúdo ainda mais grave e mais acentuado que o anterior é a afirmativa recorrente dos defensores da lei antipalmada de que controlar a criança com uma palmada é introduzi-la no mundo da violência, é a uma forma de induzi-la a aceitar a violência como recurso legítimo no alcance dos objetivos. Assim, por imitação, a criança iria se tornar violenta. Escapa a esses ideólogos que a imitação é somente um dos componente da formação da personalidade, outros fatores aí se somam, inclusive a capacidade que o meio (os pais) tem de controlar a impulsividade e agressividade naturais da criança. Fosse somente a imitação a constituir a personalidade e pautar o comportamento da criança, bastaria um pai bom e tolerante, que nunca estapeasse o filho, para que o filho se tornasse também bom, isto é, uma pessoa pacífica e não agressiva. Mas o que se vê rotineiramente são pais desesperadamente tolerantes, que tudo permitem e fazem para seus filhos. Tolerantes com todas as suas extrapolações; em contraposição a filhos agressivos, violentos e egoístas, não raro descambando para a delinqüência. Não! Os filhos não imitam tudo de seus pais; na verdade, os filhos filtram das influências dos pais aquelas que são adequadas a seus desejos. O que inibe a impulsividade e a agressividade (naturais em toda criança) é o controle que o pai ou a mãe exercem sobre o filho. Nesse sentido, controle é mesmo o objetivo educacional.
Não há, contudo, somente uma única forma de controlar. Esta, depende muito do temperamento, cultura e recursos dos pais. Entre as formas de controle podem ser citados o controle verbal (através do sermão, diálogo, ou da instrução), os castigos físicos como surras e palmadas e os castigos de restrição da liberdade e retirada de privilégios. Alguns desses se tornaram obsoletos, como as surras, outros, sabidamente inócuos com crianças, como os sermões/assertivas verbais e, por fim, o grupo variado dos castigos que hoje são conhecidos e pesquisados e que bem empregados podem se ajustar às várias situações que exigem controle.
Para que a palmada seja completamente abandonada e o controle verbal possa lograr êxito é preciso que este seja capaz de desempenhar as funções ora ocupadas pela palmada. Uma função, em especial, fica muito prejudicada nessa substituição: o controle da desobediência. Há várias situações, cotidianas, em que a criança pequena, tentada por seus impulsos, não será contida por palavras, por mais ásperas e gritadas que sejam. Quem nunca viu uma mãe quase “louca” em um supermercado a suplicar para que o filho devolva a caixa de chocolates à gôndola? Ou crianças rolando de birra no chão ante a negativa da mãe em lhe dar o sorvete? Nessas situações de birra agressiva ou escandalosa e de recusa à obediência é necessária a contenção do comportamento da criança. Ocorre que conter uma criança em situações semelhantes (segurando-lhe os braços, por exemplo-que já é uma ação física) é extremamente cansativo e a criança tende a resistir a essa contenção (se agitando, chorando, chutando, xingando, cuspindo etc) levando os pais a afrouxarem em seu controle. Assim, a conduta de resistência da criança vai sendo aos poucos reforçada, pela exaustão a que levam os pais. Daí para frente, com o repertório de desobediência reforçado, a criança passa a ser “dona” de si e da família, submetendo os pais a seus mimos e caprichos. É preciso ficar claro para essas crianças que sua conduta lhes traz conseqüências desagradáveis, entre as quais, o “castigo da cadeirinha” e, em sua impossibilidade, a palmada pedagógica. Somente a certeza dessa punição pode controlar com eficácia os comportamentos desobedientes da criança pequena. É preciso ficar claro: a criança ser controlada por ações verbais é secundário à aprendizagem de ser controlada por ações físicas.

EQUIVOCADA EM SUA FORMA.
A intrusão do estado no íntimo da ação familiar educativa sinaliza uma direção autoritária (poderia se dizer até mesmo fascista) que visa desqualificar a família como instância autônoma e básica na formação das crianças. Onde passa um boi, passa uma boiada, diz o ditado popular. Uma vez aberto o precedente, o estado poderá se arvorar em regulador de outras situações educacionais: qual a comida devem os pais dar aos filhos?; que programas deverão os filhos ver?; que assuntos os pais poderão aventar com os filhos e quais seriam proibidos?; que castigos os pais poderiam aplicar aos filhos e quais seriam proibidos?; como os pais deveriam regular a iniciação sexual dos filhos e toda a sorte de situações para as quais haveria um jeito “certo” e prescrito por algum especialista burocrático do governo, até que chegássemos finalmente ao momento em que as relações familiares se tornariam baseadas não mais no amor, mas na adequação à lei, esvaziando a família do que tem de mais sagrado: preparação amorosa de cada novo membro da sociedade humana. Um passo nessa direção já foi dado quando se estabeleceu a norma de que o pai que não amar seu filho pode ser condenado a multas e indenizações.
Não se pense aqui que esse absurdo jamais seria alcançado. Na ficção, George Orwell nos dá uma amostra dessa situação em seu terrível, mas imprescindível, 1984. Para aqueles que não acham a ficção argumento válido, exemplifico com a história real. O Camboja revolucionário e a chamada “Revolução Cultural” da China de Mao Tzé Dong. Nesses paraísos, os filhos (ainda crianças) eram braço auxiliar da repressão estatal e não titubeavam em denunciar seus próprios pais ante a presença de qualquer sinal de atividade proibida, como, por exemplo, ler, ou recitar poesias que enfatizassem o “eu” em lugar do “nós”.

EQUIVOCADA EM SEUS OBJETIVOS
Se o objetivo da lei “antipalmada” é mesmo o de proteger a criança de maus tratos praticados por seus pais, então seus efeitos são completamente inócuos, pois já há leis penais que são aplicáveis às várias situações de aviltamento da criança, enquanto que o texto proposto não produz efeitos na justiça penal. Contudo, se o objetivo da lei é o de “conscientizar” os pais de sua responsabilidade e de seu papel, estamos diante de um governo que não sabe o que fazer para evitar que quarenta mil jovens morram por ano no Brasil em crimes decorrentes do tráfico e consumo de drogas, mas se julga competente para ensinar aos pais como devem educar seus filhos. Como são pretensiosos os nossos técnicos estatais! O governo quer proibir a palmada nos filhos, mas acha legítimo a palmada nos pais!
Na verdade, essa é mais uma ação de um grande projeto de reengenharia social que visa: 1º esvaziar o sentido da família tradicional, 2º esvaziar a sociedade dos valores cristãos, 3º implementar o projeto revolucionário marxista-gramsciano, mas este último parágrafo é tema para um próximo post.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

AS FUNDAMENTAIS VITÓRIAS CULTURAIS DO ESQUERDISMO



AS DEZ FUNDAMENTAIS VITÓRIAS CULTURAIS DO ESQUERDISMO


NOTA INTRODUTÓRIA:


Por vitória cultural, entenda-se a validação midiática de uma afirmação que não corresponde à realidade. Uma mentira, portanto, tornada verdade pela repetição insistente de ativistas midiáticos e “formadores de opinião”. Nem todos os que reproduzem essas “verdades” sabem de sua gênese fraudulenta. A rigor, sua maioria acredita piamente nesse discurso: são os fundamentais inocentes úteis, soldados e praças. Contudo, há os astuciosos, que compõem a parte formuladora da estratégia. São os generais da guerra cultural!
Os temas serão postados aos poucos, na medida de sua elaboração. Neste momento apresento as quatro primeiras "vitórias culturais do esquerdismo". As demais virão nos posts seguintes.




PRIMEIRA: O NAZISMO FOI UMA DITADURA DE DIREITA (CAPITALISTA).
A VERSÃO DIFUNDIDA: O mundo é palco de ditaduras, presentes e passadas, sendo o nazismo, a pior de todas, uma ditadura de direita, portanto, engendrada ou apoiada pelos capitalistas liberais.

A VERDADE: O nazismo nem foi a pior de todas as ditaduras e nem de longe se aproxima do liberalismo capitalista. Vejamos: o nazismo vitimou cerca de dez a doze milhões de perseguidos, em sua maioria judeus, ciganos e pentecostes. Somente no período em que a China comunista foi dominada por Mao Tze Dong, entre mortos de fome (para gerar excedente exportável de cereais) e execuções, a conta passa dos oitenta milhões de almas.
Por outro lado, nazismo é uma sigla que significa Nacional Socialismo. Esta observação já deixa claro o norte teórico que subjaz a essa triste experiência da humanidade.
O nazismo está centrado no controle pelo estado tanto da atividade econômica quanto da liberdade individual. Com efeito, o nazismo não abole a atividade empresarial, mas a submete ao controle estatal, através de toda a sorte de regulamentos, licenças e controles, o que torna o empreendimento empresarial uma atividade cartorial que nada tem em comum com o liberalismo econômico. Por outro lado, o indivíduo, como instância dinâmica da sociedade é colocado sob severa repressão. A conduta pessoal, nesse contexto, passa a ser decidida não pela individualidade, mas pelos controladores estatais.
É por demais nítida a semelhança com os princípios socialistas/comunistas: estado forte, indivíduo fraco e, sobretudo, o completo desprezo pela democracia. Nada mais distante do liberalismo capitalista!

SEGUNDA: A BANDIDAGEM É FRUTO DE UM SISTEMA ECONÔMICO INJUSTO.
A VERSÃO DIFUNDIDA: O comportamento delinqüente tem origem nas carências sócio-econômicas dos criminosos. Trata-se de um último recurso, extremo, contra um sistema concentrador da riqueza em mãos de poucos. A violência da concentração de renda produz a violência dos assaltos, seqüestros, assassinatos, tráfico de drogas etc.

A VERDADE: o comportamento delinqüente não está correlacionado com deficiências econômicas, mas a transtornos de caráter e deficiência nos controles sociais. Dados estatísticos, objetivos, portanto, além de estudos criminológicos demonstram que o comportamento criminoso é proporcionalmente igual em todas as classes sócio-econômicas. Simplesmente há mais delinqüentes oriundos das classes mais pobres porque esse seguimento é imensamente mais numeroso que os demais. Há uma ressalva a fazer, contudo. No Brasil, o comportamento delinqüente nos bolsões de pobreza (favelas, periferias etc), tem sido legitimado e, até, incentivado por intelectuais e ativistas esquerdistas. Essa justificativa, quando interiorizada, funciona como um “habeas corpus subjetivo” (aquele fluxo de pensamento, uma consciência má, que vai produzindo um estado de vitimismo interior justificador da transgressão) que poderá findar em aumento da criminalidade. A estratégia esquerdista parece ser essa mesma: quanto mais crimes e descontrole social, maior o argumento de que o sistema não presta, está falido etc. É como um médico maluco que inocula veneno no paciente e depois afirma que o paciente está doente, precisando de seus cuidados etc


TERCEIRA: O POBRE É BOM, POR SER POBRE. O RICO É MAU, POR SER RICO.

A VERSÃO DIFUNDIDA: No Brasil, a idéia de que o pobre seja essencialmente bom só por ser pobre e o rico seja essencialmente mau só por ser rico, está maciçamente entronizada em toda a nossa dramaturgia, literatura, televisão, entre outros. A partir dessa maciça carga de doutrinação, as pessoas começam a repetir a mensagem em sua forma de se comportar e fazer suas escolhas.

A VERDADE: à idéia geral de que o pobre seja essencialmente bom só por ser pobre e o rico seja essencialmente mau só por ser rico não resiste à mais simples análise. É incabível considerar que o caráter da pessoal muda conforme mudam suas posses. O caráter é uma construção que se consolida muito cedo na vida da pessoa, através de suas identificações primárias. A condição financeira sofre oscilações ao longo da vida: quem era rico, pode ter ficado pobre; quem era pobre, pode ter ficado rico. Como poderia o acidental mudar o essencial? Ademais, por verificação própria, quem nunca conheceu um pobre mau-caráter ou um rico reto? A difusão dessa idéia por meios subliminares visa criar uma falsa dicotomia: os pobres contra os ricos! Essa é, aliás, a antinomia revolucionária mais básica e estabelecida nos primórdios da teorização marxista: proletários X capitalistas.


QUARTA: O TERRORISMO SÓ PODE SER VENCIDO PELA TOLERÂNCIA (COM OS TERRORISTAS)
A VERSÃO DIFUNDIDA: O terrorismo é a única resposta possível quando o sistema legal de um país não aceita as reinvindicações de uma minoria ou de uma outra nação. Quanto mais repressão houver, maior será o ressentimento e o incremento dos atos terroristas. Assim, as nações devem lidar com o terrorismo pela via do diálogo e da negociação, nunca com a repressão, como a atual guerra anti-terror!

A VERDADE: O terrorismo consiste no uso da violência contra populações civis sem lhes possibilitar meios ou tempo para a defesa ou proteção. O ato visa mesmo aterrorizar os inocentes para que o sistema legal ceda em suas exigências. É um ato covarde pois não luta contra forças armadas, mas espalha morte e destruição entre pessoas desarmadas, desavisadas e indefesas.
Ceder ao terrorismo, dialogar com terroristas consiste no retorno à barbárie. O terrorismo visa solapar o trato civilizatório dos conflitos. Ao invés de ter a Lei por norma, a chantagem passa a ser a moeda de troca. No limite, ceder à chantagem do terrorismo levaria à uma nova era: a era das hordas primitivas com seus sistemas próprios de justiçamentos. O terrorismo só será vencido quando o mundo civilizado se convencer de que a mínima tolerância é um ato de auto-mutilação.
Mas por que a esquerda investe no diálogo com o terror? Não é somente por serem aliados estratégicos históricos. A ênfase da esquerda na defesa do terror é manter acuada a chamada civilização liberal. Ocupada em se justificar, a civilização capitalista liberal permite ser atacada por diversos flancos. Afinal, é muito mais difícil atacar uma civilização que tem consciência de ser o que de melhor a humanidade produziu do que por abaixo uma civilização que vive em conflito e sentimento de culpa por seu sucesso!
Edson Moreira

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE: HÁ VERDADE NESSE LEMA MODERNO?





Vivemos, hoje, a plenitude do discurso do igualitarismo. São artistas, intelectuais, jornalistas etc etc a bradar bordões contra as desigualdades, que oprimem e tornam o mundo injusto, insuportável e tal. Afirmar que os homens devem ser iguais e que essa igualdade é a garantia da liberdade, cala fundo em nosso espírito. O ser humano essencialmente ama a justiça e a liberdade e, por isso, nosso espírito recebe o discurso do igualitarismo com grande acatamento e apreço.

Mas quando se afirma a igualdade entre os seres humanos, de quê estamos falando mesmo? E, seja lá o que for essa igualdade, seria ela compatível com a liberdade? Voltemos um pouco na história para entender o estado da questão.
Se formos buscar as origens da idéia de igualdade como guia-mestra da justiça, chegaremos ao próprio Cristo e, antes d`Ele, aos gregos (adiante se verá em que medida essa afirmação é confirmada pelos fatos). Modernamente, esse marco foi estabelecido pela revolução francessa, com seu lema "Liberté, Égalité, Fraternité”, lema este logo depois adotado pela Maçonaria francesa e difundido por todo o globo, acabando por se tornar seu lema universal. Aqui há uma correção a ser feita sobre o que foi dito. Na verdade, o lema original da revolução francesa era "liberté, egalité ou la mort". Somente com a chamada 2ª República, em 1848, (quase sessenta anos após a eclosão do movimento revolucionário) é que o termo “la mort” foi substituído por “fraternité”. Essa alteração não foi fortuita, mas responde às dificuldades em combinar igualdade com liberdade. Sabe-se que a revolução francesa guilhotinou mais de cem mil pessoas em pouco tempo. Simplificadamente, se pode afirmar que, não logrando êxito em conciliar o seu “liberté” com o “egalité”, sobrou aos revolucionários o seu “la mort”, que teve de ser substituído pelo “fraternité”, para acabar com a matança. Mas por que? Que dificuldade insuperável há em conciliar igualdade com liberdade?

Começo pelas dificuldades em precisar o conceito de igualdade. Parece que há acordo entre os biólogos de que temos uma igualdade genética. Mas essa igualdade genética não garante igualdade corporal e psíquica. Uns são baixos, outros, altos; uns negros, outros, brancos, outros, amarelos, outros tantos, mestiços; uns tem capacidade atlética, outros, intelectual, outros, intermediárias; uns são mais bonitos, outros, muito feios. Todas estas “desigualdades” produzem efeitos comportamentais e desiderativos que tornam cada ser humano único, portanto, diferente. Senão, vejamos: uns querem estudar, outros jogar bola, ver novela ou namorar. Uns querem a engenharia, outros a medicina, ou a administração, ou jogar cartas. Uns lutam para se enriquecerem, outros lutam por um grande amor; um ama a Joana, mas não é correspondido, outro ama a Maria que lhe corresponde. Enfim, cada um deseja e luta por uma coisa que é somente sua. Para que todos fossem iguais, dever-se-ia controlar seu desejo. A base do igualitarismo é o desejo controlado. Ora isso somente é possível mediante a supressão da liberdade. Um mundo em que o desejo pessoal é controlado por um agente externo não é um mundo de liberdade, mas de opressão.

E aqui nos deparamos com as dificuldades encontradas pelos revolucionários de 1789: não há como conciliar igualdade com liberdade. Se sou livre, sou livre para ser diferente; se tenho que ser igual, onde está minha liberdade?

Essa incompatibilidade já foi demonstrada pela história. A partir das dificuldades da Revolução Francesa, o mundo tomou dois caminhos diversos: uma parte privilegiou a liberdade, em detrimento da igualdade; outra parte, privilegiou a igualdade, em detrimento da liberdade. Não é à toa que durante todo o século XX o mundo tenha se dividido entre o liberalismo (liderado pelos EUA) e o comunismo (liderado pela extinta URSS). A queda do bloco comunista com a dissolução da URSS, e a restauração das autonomias nacionais, parece ter indicado o caminho da liberdade. De fato, a única igualdade possível é a igualdade perante as leis, toda a igualdade que compulsoriamente vai além, produz opressão.

Mas porque o discurso igualitarista/libertador retorna se já fracassou, tão definitivamente?

É difícil saber porquê pessoas insistem em algo fracassado. Talvez por teimosia. Talvez por ignorância do fracasso (muitas pessoas não têm conhecimento dos fatos acima narrados) e, por fim, porque para certas pessoas não houve fracasso algum, mas um objetivo calculado que não foi alcançado por acidente de percurso. Trata-se, pois, de uma posição capciosa, malandra, de quem esconde seus reais objetivos. Nesse caso, os sectários dessa posição sabem muito bem que um sistema igualitarista irá suprimir a liberdade, mas não se importam, pelo contrário, perseguem mesmo a meta de supressão da liberdade. Mentes tiranas odeiam a liberdade, a lei, a democracia. São legiões, lobos em pele de cordeiro, que ciclicamente retornam para perpretar seu intento nocivo, como o demonstra a experiência histórica. Assistimos hoje, especialmente no Brasil, a uma profusão de “humanistas” de fachada, com discurso igualitarista, mas que anseiam pela destruição da democracia e da liberdade. Atentai!

Edson Moreira