sábado, 13 de abril de 2013

A INDÚSTRIA DO OPRIMIDO




Não tenho todos os dados objetivos, mas acredito que em nenhuma outra época o Brasil congregou tanta gente, tantas organizações, tantos conceitos  em torno de uma suposta defesa dos “oprimidos” e suas variantes: “excluídos”, “minorias” etc  etc. Há até um ministério para cuidar desse assunto.
Assim, entre nós se criaram os chamados “campos sociais de lutas”: luta do movimento gay; luta do movimento pela consciência (oops!) negra; luta pela libertação (oops!)  da mulher; luta pela proteção da infância; luta pelos sem-terra; luta pelos sem-teto; luta pelos índios; luta pelos quilombolas; luta contra o tabagismo; luta pela liberação da maconha etc etc. É uma lista sem fim.
É preciso ressaltar que todo movimento que luta por alguma coisa, na prática ele luta contra uma outra coisa. E o grande “inimigo” desses movimentos deverá ficar sugerido ao final deste artigo. Antes, porém, deve-se ter em mente que esses grupos se organizaram em ONGs, através das quais captam recursos e se tornam “donas” daquela minoria. É a essa relação OPRIMIDO – DINHEIRO, que chamo de “INDÚSTRIA DO OPRIMIDO” que vou tratar nesse artigo.  É tanto dinheiro, poder e prestígio arrecadado, que essa INDÚSTRIA DO OPRIMIDO  já se tornou o meio de vida de milhares de pessoas. É claro que esses BARÕES DA BONDADE FINGIDA não querem  ficar sem seus polpudos rendimentos e prestígio. A consequência é  buscarem acentuar cada vez mais a percepção de injustiça para  perpetuarem sua “luta” e, com ela, seus rendimentos.
Vou dar um exemplo para ilustrar o que foi dito. Veja  a chamada luta antirracismo. As ONGs “donas” dessa causa são incontáveis, algumas delas milionárias, mas quais mesmos são os resultados alcançados?
1- Raça e consciência negras. O termo “raça” foi aplicado pelos escravagistas que precisavam justificar sua atividade. Havendo “raças”, ficaria patente a diferença essencial entre o negro e o branco. Ou seja, fortalecer o termo raça é fortalecer o preconceito. É ratificar o preceito escravagista. Pois bem, intelectuais percebendo o risco do uso do termo raça, passaram a condená-lo como expressão do racismo, a partir dos anos 1960 (pesquisem moçada). Com o início dos atuais movimentos de minorias (meados da década de 80), a primeira medida estratégica foi restabelecer o termo “raça”, e aí restaurou-se a raça negra, a raça branca, a raça amarela etc. Isso foi bom para o negro? Sentir que pertence a uma outra raça? Como ocorre com os cães? Claro que não! Mas foi bom para os LORDs que estimularam essa anomalia. Na verdade, o que se queria não era a harmonia, mas a guerra social. Conseguirão? O que dizer sobre “consciência ou orgulho negro”? Por diferenciação, então existiria uma consciência branca? E o orgulho branco? É tão estúpido considerar a pessoa pela cor da pele que esse tipo de afirmação beira ao cômico, não fosse trágico. Como posso ter orgulho de ser negro? Ou branco? É o mesmo que ter orgulho de ter o pé grande ou o nariz pequeno. Penso que só devemos ter orgulho de ações e comportamentos. Nunca de uma fortuidade ao nascimento.
2 – Regime de cotas para negros nas universidades. Um negro entrar na universidade tendo  média inferior à de um branco  é mesmo um avanço? Absolutamente, não! Por dois bons motivos: primeiro, sedimenta na mente do negro que ele é incapaz de alcançar o desenvolvimento que o branco consegue. Portanto, é inferior! E não adianta dizer para ele que  é merecedor dessa mãozinha, por reparação histórica. Intimamente, ninguém acredita nisso. O sujeito quer mesmo é vencer  competindo de igual para igual! Segundo, cria uma situação de injustiça, afinal, o que um jovem branco fez para merecer ser passado para trás tendo melhores notas? Alguém pode argumentar: “ele não, mas seu tatataravô foi escravagista". É mentira. Na época da escravidão, poucos eram os senhores escravagistas; a grande maioria dos brancos era pobre, como ainda hoje é,  e não possuía escravos. Alguns brancos sequer escravagistas foram, como os italianos e alemães que para cá vieram a partir do início do sec XX, quando já não havia escravidão no Brasil. A hipótese de “reparação histórica” é absolutamente estúpida e injusta.
Mutatus mutandi, o  atraso que a chamada “luta antirracista” produziu e produz à melhoria da vida das pessoas de pele escura, também se aplica aos demais chamados “movimentos sociais de lutas”. Para ilustrar, como esses movimentos nada ajudam dou como exemplo as mulheres: na década de 1940, as mulheres ocupavam menos de 3% das vagas dos cursos superiores. Hoje, já são a maioria nas faculdades e universidades do Brasil. Sem cotas ou medidas legais extraordinárias. Somente o desejo de avançar e uma ação decidida podem construir, verdadeiramente, uma vida melhor. Qualquer artificialismo só atrapalha!

Afirmei no início que há um inimigo comum, contra o qual todos esses movimentos convergem sua hostilidade. É superficial supor que todo esse bom-mocismo vise apenas o enriquecimento desses “mercadores dos bons sentimentos”. O alvo, ainda que insconsciente para alguns, é a democracia representativa. E com ela, a liberdade. O movimento revolucionário nunca desistiu e nunca desistirá de instituir um estado onipresente, que controle a vida de todos. Tentou com nazismo, tentou com os vários populismos, tentou com o fascismo, tentou com o comunismo e agora tenta com os chamados “governos populares”. É o estado entrando na sua casa e determinando o que você pode ou não fazer. Já não há aí uma lei em tramitação que pune o pai por aplicar uma palmada no filho? Uma outra que coloca como obrigação “legal” o pai dar amor ao filho? (como se fosse possível resolver a vida afetiva das pessoas por imposição estatal). Esses santos do ativismo social são, na verdade, lobos em pele de cordeiro. “De nihilo nihil”.

2 comentários:

Divina Jardim disse...

As cotas raciais não se justificam por causa da escravidão, mas sim por causa da desigualdade.

As cotas sociais são justas se forem a política mais eficiente para garantir a igualdade equitativa de oportunidades. Entretanto, repetidos estudos empíricos são necessários para verificar continuamente se elas são mesmo as políticas mais eficientes para atingir esse objetivo.
As cotas raciais são justas se forem um tipo de cota social, isto é, se a cor da pele for um marcador razoavelmente eficiente para identificar quem foi prejudicado na loteria social. Novamente, repetidos estudos empíricos são necessários para verificar continuamente se as cotas raciais estão funcionando
como cotas sociais.
As cotas raciais não são justificadas se forem baseadas em compensação pela
escravidão, pois é injusto que se culpe alguém pelas ações de um grupo ao qual ele não escolheu pertencer e porque tanto os prejuízos aos negros de hoje quanto os benefícios aos brancos de hoje são difusos. Além disso, essa justificativa poderia criar um ciclo de retaliação. As cotas sociais são justificadas mesmo que reduzam a qualidade acadêmica e
a produção científica, pois como o objetivo último da universidade pública é promover para a justiça social, a educação e a ciência financiadas por dinheiro público são meios para atingir esse objetivo, não fins em si mesmos. Portanto, critérios meritocráticos de ingresso nas universidades públicas podem ser corrigidos por critérios de necessidade caso isso seja necessário para estabelecer
a igualdade equitativa de oportunidades.
Por fim, é importante ressaltar que mesmo que haja consenso de que os negros e pobres merecem atenção especial pelas desvantagens sociais que sofrem ou que seria melhor para a sociedade como um todo que eles tivessem mais mobilidade social, não é evidente que o tratamento preferencial
na admissão às universidades seja uma maneira eficiente de fazê-lo quando comparada a políticas universais que sejam menos controversas (melhora da qualidade do ensino fundamental e do ensino médio, aumento das vagas em universidades, fortalecimento do ensino técnico etc.) ou programas como o Prouni(Pograma Universidade para Todos). É preciso analisar
empiricamente de maneira contínua e sob diversos aspectos se o ensino
superior promove realmente a mobilidade social e se as cotas são a maneira mais eficiente de fazer com que os mais pobres cheguem, e se mantenham,na universidade. Inclusive, a Lei 12.711 leva em consideração essa necessidade de acompanhamento empírico de que as cotas funcionem apenas
como uma medida temporária de correção ao exigir que uma revisão dessa política seja feita em dez anos. Se, contudo, essas análises confirmarem a eficiência da política de cotas sociais e raciais como garantia da equidade,
então não é injusto que negros e pobres entrem na universidade pública com notas menores do que as dos candidatos não-cotistas.
As cotas raciais e sociais em universidades públicas são injustas?





Divina Jardim disse...

As cotas raciais não se justificam por causa da escravidão, mas sim por causa da desigualdade.

As cotas sociais são justas se forem a política mais eficiente para garantir a igualdade equitativa de oportunidades. Entretanto, repetidos estudos empíricos são necessários para verificar continuamente se elas são mesmo as políticas mais eficientes para atingir esse objetivo.
As cotas raciais são justas se forem um tipo de cota social, isto é, se a cor da pele for um marcador razoavelmente eficiente para identificar quem foi prejudicado na loteria social. Novamente, repetidos estudos empíricos são necessários para verificar continuamente se as cotas raciais estão funcionando
como cotas sociais.
As cotas raciais não são justificadas se forem baseadas em compensação pela
escravidão, pois é injusto que se culpe alguém pelas ações de um grupo ao qual ele não escolheu pertencer e porque tanto os prejuízos aos negros de hoje quanto os benefícios aos brancos de hoje são difusos. Além disso, essa justificativa poderia criar um ciclo de retaliação. As cotas sociais são justificadas mesmo que reduzam a qualidade acadêmica e
a produção científica, pois como o objetivo último da universidade pública é promover para a justiça social, a educação e a ciência financiadas por dinheiro público são meios para atingir esse objetivo, não fins em si mesmos. Portanto, critérios meritocráticos de ingresso nas universidades públicas podem ser corrigidos por critérios de necessidade caso isso seja necessário para estabelecer
a igualdade equitativa de oportunidades.
Por fim, é importante ressaltar que mesmo que haja consenso de que os negros e pobres merecem atenção especial pelas desvantagens sociais que sofrem ou que seria melhor para a sociedade como um todo que eles tivessem mais mobilidade social, não é evidente que o tratamento preferencial
na admissão às universidades seja uma maneira eficiente de fazê-lo quando comparada a políticas universais que sejam menos controversas (melhora da qualidade do ensino fundamental e do ensino médio, aumento das vagas em universidades, fortalecimento do ensino técnico etc.) ou programas como o Prouni(Pograma Universidade para Todos). É preciso analisar
empiricamente de maneira contínua e sob diversos aspectos se o ensino
superior promove realmente a mobilidade social e se as cotas são a maneira mais eficiente de fazer com que os mais pobres cheguem, e se mantenham,na universidade. Inclusive, a Lei 12.711 leva em consideração essa necessidade de acompanhamento empírico de que as cotas funcionem apenas
como uma medida temporária de correção ao exigir que uma revisão dessa política seja feita em dez anos. Se, contudo, essas análises confirmarem a eficiência da política de cotas sociais e raciais como garantia da equidade,
então não é injusto que negros e pobres entrem na universidade pública com notas menores do que as dos candidatos não-cotistas.
As cotas raciais e sociais em universidades públicas são injustas?